Grelhas de Avaliação

trabalho de Mestrado de Marlene Barral

orientado por Doutor João Gouveia

Enquadramento teórico do projeto

 

Este site faz parte de um projeto de Mestrado da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti. Visa compreender e clarificar o conceito de competências e as suas implicações para a avaliação das aprendizagens. Identificar as principais tendências de avaliação de aprendizagens e analisar os métodos de avaliação e os instrumentos disponíveis à luz de uma avaliação centrada em competências. Tem como finalidade apoiar os Professores na conceção de grelhas de avaliação, rubrics, para que estes possam de uma forma simples e intuitiva construir grelhas de avaliação que lhes permitam realizar uma avaliação baseada em critérios e orientada para o desenvolvimento de competências nos alunos.

 

Pode consultar grande parte da fundamentação teórica e revisão da literatura efectuada navegando nos tópicos abaixo.

 

 

 

Avaliar […] deveria ser sempre uma acção de verificação de competências.” ©

O Currículo Nacional do Ensino Básico © refere-se à competência como promotora do desenvolvimento integrado de capacidades que viabilizam a utilização dos conhecimentos em situações diversas. É assim integradora de conhecimentos, capacidades e atitudes, um saber em ação ou em uso, tal como defende Perrenoud ©. O documento supracitado demonstra a relevância que as competências vêm adquirindo nas diretrizes produzidas pelo Ministério da Educação. Fruto ou não dessas orientações, os resultados dos alunos portugueses no PISA 2009 revelam, relativamente a anos anteriores, uma melhoria das competências básicas nas áreas avaliadas: leitura, matemática e ciências.

A importância das competências está bem patente no currículo atual, mas tem sido preterida pela importância dos conteúdos ©. Apesar de os conteúdos serem fundamentais, não devem ser tomados como um fim em si mesmos, mas como o meio de se adquirir algo que o aluno não possuía antes, uma competência, o ser capaz de usar adequadamente esses conteúdos ou conhecimentos para aplicar, analisar, agir nos diferentes domínios do saber. Na escola, é frequente um aluno “não ser capaz de”, o que demonstra que, apesar de poder ter adquirido conhecimentos, não é capaz de os transformar numa competência. Esta, ao contrário dos conteúdos, não se perde com o tempo, mas pode consolidar-se e ampliar-se.

O conceito de competência é diferente do de objetivo, que segundo Roldão © é o que queremos que o aluno aprenda, numa dada situação de ensino, face a um determinado conteúdo ou conhecimento. Assim, um objetivo pode não conter uma competência. Pode-se definir como objetivo que um aluno saiba o abecedário, não garantindo, com isso, que adquira a competência da leitura. O que os distingue é que uma competência se faz por níveis de desenvolvimento (podemos ter, por exemplo, uma competência transversal a todo um ciclo) enquanto que os objetivos vão sendo atingidos, e definidos novos para uma nova etapa. Enquanto as primeiras se desenvolvem, os segundos atingem-se ©. Devem, portanto, evitar-se as tentações de se polarizarem as situações de aprendizagem tanto em conteúdos versus competências como objetivos versus competências. Todos são complementares, nunca incompatíveis. ©

Os procedimentos de avaliação no sentido de medida fiável e objetiva vêm sendo progressivamente substituídos por práticas destinadas à compreensão das competências dos alunos e da sua progressão contextualizada ©. De tal modo se verifica esta progressão que, internacionalmente, o conceito de avaliação evoluiu para o de “assessment”, definido por Linn e Gronlund © como “o termo que designa um conjunto de procedimentos usados para recolher informação relativa à aprendizagem do aluno (observação, classificação de performance ou trabalhos, teses) e a formação de uma opinião referente ao processo de aprendizagem.” Scallon © alerta-nos mesmo para a origem etimológica da palavra “assess” – do latim “sentar-se com”, sublinhando a aproximação da avaliação do processo de ensino/aprendizagem.

Roldão © afirma ainda que se mantém em Portugal uma tendência de apresentação de conteúdos (matéria), pouco orientada para aquilo que neles é gerador de competência. A avaliação, por sua vez, incide sobre a matéria e não sobre o que o aluno sabe fazer com esses conhecimentos. A autora defende que, na sequência de uma planificação, se devem definir objetivos, e fazer-lhes corresponder estratégias de orientação do trabalho do professor, existindo depois a avaliação para reorientar e fazer o balanço deste processo. Verifica, ainda, que a avaliação feita por algumas escolas nada tem a ver com os objetivos que se identificaram e com a planificação feita inicialmente. É o que John Biggs © refere como falta de alinhamento construtivo entre os objetivos de aprendizagem e a avaliação, pois os alunos organizam-se e trabalham em função da avaliação para obter os melhores resultados possíveis.